“O primeiro mês dura uns três anos”; essa é a frase que costumo dizer quando converso com alguém sobre o primeiro mês de um recém-nascido em nossa vida. São tantas novidades e coisas que acontecem que os dias parecem longos.

Trinta dias dormindo numa cama extra no quarto da Olívia, o berço colado ao meu lado, acordando do meu cochilo religiosamente de duas em duas horas. A rotina era: acordá-la e mantê-la desperta para mamar, e depois vinha a minha parte – colocá-la no colo, em pé, esperando a digestão acontecer e o sono dela chegar. Enquanto isso, era eu quem ficava com sono. A privação do sono é terrível; qualquer pai de recém-nascido sabe disso. Eu não via a hora de voltar para minha cama, para o quarto do casal, para dormir “normalmente”.
Era a madrugada em que se completava um mês que eu estava “hospedado” no quarto da Olívia. Cansaço, sono e aquela preocupação de não saber quando eu iria voltar para a minha cama. As preocupações do marinheiro de primeira viagem me mantinham ali: “ela está respirando?”, “vou ficar aqui caso ela engasgue!“; afinal, quando nasceu, a Olívia teve dificuldade na transição respiratória e episódios de refluxo. Em meio aos sons do ruído branco, no quarto escuro, e eu ali deitado, perguntei a Deus: “Senhor, quando eu vou conseguir voltar a dormir no meu quarto?”.
Sem esperar tanta agilidade na resposta, Ele me trouxe à memória o Salmo 121: 4-8 que diz: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.”
E, pra não deixar que a minha incredulidade e racionalidade tomasse conta, de forma pessoal e direta, completou: – “Do que adianta todo o seu cuidado com a Olívia? Com a sua presença ou ausência, sou Eu quem guarda e cuida. Entregue-a a Mim e descanse!”. Sem hesitar, no dia seguinte eu já estava dormindo na minha cama.
Tenho aprendido que existe uma diferença entre cuidar com ansiedade e cuidar com confiança. Escolha cuidar com confiança, o que também inclui saber entregar nas mãos de Deus, pois a paternidade e a maternidade humana são imperfeitas.