A chegada do primeiro filho é cheia de novidades e aprendizados – você passa a contar o tempo por semanas e não por meses, um novo espaço na casa se abre para hospedar um bebê e, entre tantas outras coisas que se fazem novas com esse novo “ser humaninho” a caminho, novas coisas também acontecem dentro de nós.

Uma das coisas que aprendemos com o desenvolvimento das crianças é que, em cada fase, há um “salto”; aqui em casa apelidamos de “saltos-mortais” (um salto na ginástica ou um golpe na capoeira dos mais difíceis de executar), fazendo analogia com o quão desafiador é isso no desenvolvimento da criança.
Quando o bebê chega ali em torno do terceiro mês de idade, é quando as interações com ele são mais bem-sucedidas; a gente tenta arrancar um sorriso, encontrar um brinquedo ou brincadeira que chame a atenção dele — é o salto do terceiro mês. No comportamento, o salto do terceiro mês traz choros mais altos, apegos com alguém específico e, onde eu quero chegar: no SONO. Fazer a Olívia tirar as sonecas durante o dia era uma ginástica.
Eu não tinha êxito nessa atividade. Eu dificilmente conseguia fazê-la dormir, mas eu tentava. Preparava o quarto, ligava o ruído branco, sentava e balançava com ela numa bola de pilates, um método que nos ajudou muito. Em uma certa tarde, surpreendentemente, ela dormiu. E assim, dia sim, outro não, e outro não, e outro sim, ela dormia no meu colo.
Foi numa dessas tardes de sucesso que algo maior mexeu mais comigo do que aquela minha “ginástica”. Quando, diante do cenário do terceiro salto, me dei conta de que aquele bebê dormia no meu colo, mesmo sem verbalizar, ela me dizia “eu te amo“, “eu encontrei um lugar de descanso em você, mesmo sabendo que o melhor lugar e o mais familiar para mim é o colo da mamãe“.
Hoje o “eu te amo” é dito por ela com todas as letras — mesmo sem saber ao certo o que está dizendo — como parte do pacote de palavras a serem ditas antes de nos despedirmos ou de dormir. E, falando em dormir, atualmente o meu colo já não é o preferido para fazê-la adormecer. A forma de dizer “eu te amo” agora é outra: ser convidado para dançar na sala, sentar no chão para brincar e ver fotos, contar histórias de livros que ela já repete de cor.
A caminhada paterna é encantadora, mas também desafiadora. Apesar dos muitos desafios e cansaço, precisamos ficar atentos aos pequenos sucessos do dia a dia, principalmente nos primeiros anos, pois, embora às vezes pareça que o tempo demora a passar com um bebê em casa, a verdade é que ele passa voando e essas pequenas coisas ficam para trás, esquecidas e desvalorizadas. Independentemente da linguagem, esses momentos são abraços na alma, daqueles que nos sustentam enquanto seguimos aprendendo a ser pais.